sexta-feira, 8 de maio de 2015

12 filmes para emocionar (e motivar) qualquer concurseiro

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Se você ama cinema e vai prestar um concurso público em breve, por que não se preparar para a prova com a ajuda de um bom filme?

Nesta galeria, EXAME.com traz recomendações cinematográficas de professores e especialistas para quem busca exemplos de superação e sucesso.

As “histórias bonitas” não se limitam à ficção: vários títulos da lista se baseiam em fatos verídicos, como o premiado “12 anos de escravidão” ou o singelo “Apenas uma chance”. Clique nas fotos para conhecer as indicações.

“À procura da felicidade”
Em 1981, o vendedor Chris Gardner enfrenta imensas dificuldades financeiras. A falta de dinheiro está matando sua vida pessoal, mas ele continua a luta diária para proporcionar uma vida melhor a seu filho de 5 anos, Christopher.

Por que vale a pena? De acordo com a coach Deborah Cal, é comum que concurseiros dediquem horas e horas de suas vidas ao estudo, muitas vezes sacrificando o convívio familiar. “Quando faltar motivação, o filme pode lembrar que o seu esforço valerá a pena e trará uma vida mais confortável para a sua família no futuro”, diz ela.

“The Pursuit of Happyness”
Diretor: Gabriele Muccino
Ano de produção: 2006

“Uma lição de vida”
O filme mostra a história de Kimani Maruge, um homem de 84 anos que se matricula numa escola primária depois que o governo do Quênia anuncia, em 2003, a gratuidade do ensino básico. Para aprender a ler e escrever, ele estudará com crianças de seis anos de idade.

Por que vale a pena? A sugestão é de Pollyana Dieine, professora e especialista em concursos. Segundo ela, o filme demonstra que não há limites ou proibições quando existe um sonho. “A história serve de inspiração para muitos candidatos que se sentem envergonhados por tentar novamente”, diz ela.

“The First Grader”
Diretor: Justin Chadwick
Ano de produção: 2010

“Sociedade dos Poetas Mortos”
Em 1959, John Keating, o novo professor de literatura da tradicional Welton Academy, incomoda a direção do colégio com seus métodos de ensino pouco ortodoxos. Ao falar aos seus alunos sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”, Keating os ensina a pensar por si próprios e usufruir da vida.

Por que vale a pena? Segundo Gladstone Felippo, professor do Universo do Concurso, o filme pode inspirar concurseiros a buscar alternativas inovadoras quando o caminho da aprovação se mostra complicado. “O aluno precisa estar aberto a novas ideias e fórmulas para se organizar e manter a disciplina”, afirma.

“Dead Poets Society”
Diretor: Peter Weir
Ano de produção: 1989

“Apenas uma chance”
O filme conta a história verídica do britânico Paul Potts, um tímido vendedor de loja que sofre bullying desde a infância. Potts é apaixonado por ópera e trabalha como cantor lírico amador à noite. Depois de ganhar o reality show “Britain’s Got Talent” aos 37 anos de idade, ele se torna um fenômeno.

Por que assistir? Paul sofreu diversas dores e humilhações até alcançar o sucesso. Sua trajetória se assemelha à de muitos concurseiros, segundo Marcello Leal, especialista em concursos. “O filme mostra que o caminho para o sucesso não é fácil nem curto, e que muitas vezes você se perguntará sobre sua capacidade de chegar lá”, diz ele.

“One Chance”
Diretor: David Frankel
Ano de produção: 2013

“Para sempre Alice”
Alice Howland é uma renomada professora de linguística que está comemorando seu 50º aniversário. Após descobrir que está com Alzheimer, ela começa a perder recursos cognitivos gradualmente.

Por que vale a pena? Além de reafirmar a importância de viver o presente, o drama provoca reflexões sobre o conhecimento, a memória e o aprendizado – recursos valiosos para qualquer concurseiro. “O filme comprova que poder se lembrar de tudo aquilo que já lhe foi ensinado é uma dádiva”, diz Nathalia Masson, professora da Rede LFG.

“Still Alice”
Diretores: Richard Glatzer e Wash Westmoreland
Ano de produção: 2014

“Homens de honra”
Baseado em uma história real, o filme mostra a trajetória de Carl Brashear, o primeiro negro a conquistar o título de mergulhador chefe da Marinha americana. A função, até então, só era concedida a brancos. Além das proibições raciais, o objetivo de Carl fica ainda mais distante quando ele precisa amputar uma perna após um acidente.

Por que vale a pena? Carl acumulava dois grandes obstáculos: o racismo e uma deficiência física. Segundo a coach Deborah Cal, a descrença geral sobre o seu potencial é o combustível do personagem. “Concurseiros conhecem isso muito bem: algumas pessoas dizem que a aprovação é impossível, que é melhor desistir”, diz ela. “O filme mostra que é mais sábio não dar ouvidos a esses comentários.”

“Men of Honor”
Diretor: George Tillman Jr.
Ano de produção: 2000

“Desafiando Gigantes”
Grant Taylor, o treinador de um time medíocre de futebol americano, corre o risco de ser substituido após seguidas temporadas ruins. Ele decide, então, mudar sua estratégia para chegar à vitória.

Por que vale a pena? “Concurseiros enfrentam problemas diversos, como limitação de tempo ou dinheiro, desemprego e até tripla jornada, no caso de muitas mulheres”, diz Marcelo Marques, diretor do Concurso Virtual. O filme mostra que persistir não é sinônimo de insistir. “A cada reprovação, é preciso refazer os seus planos”, afirma Marques.

“Facing the Giants”
Diretor: Alex Kendrick
Ano de produção: 2006

“2 filhos de Francisco”
Francisco Camargo é um lavrador de Goiás que quer transformar dois de seus filhos em uma dupla sertaneja. Após inúmeros acidentes, fracassos e mudanças de rota, os irmãos acabam encontrando o sucesso na figura de Zezé di Camargo e Luciano.

Por que assistir? A professora Pollyana Dieine recomenda o filme para todos os seus alunos. “Às vezes, desistir parece a única alternativa possível, mas histórias como essa mostram que a persistência e a união familiar podem levar a um sucesso estrondoso”, afirma.

“2 filhos de Francisco”
Diretor: Breno Silveira
Ano de produção: 2005

“12 anos de escravidão”
Em 1841, Solomon Northup é um negro livre, que vive em paz com a família no estado de Nova York. Um dia, em viagem a Washington, é sequestrado e vendido como escravo. Ao longo de 12 anos, ele é obrigado a trabalhar em fazendas na Lousiana.

Por que assistir? O filme fala diretamente ao concurseiro que aguarda ansiosamente a hora de conseguir sua aprovação. “Mesmo que demore, que ele se sinta injustiçado ou que ninguém acredite no seu esforço, ele deve perseverar”, diz Gladstone Felippo, professor do Universo do Concurso.

“12 Years a Slave”
Diretor: Steve McQueen
Ano de produção: 2013

“A vida secreta de Walter Mitty”
Após sofrer diversas perdas e desilusões pessoais, Walter Mitty decide embarcar numa viagem repleta de aventuras, que inclui fugir de vulcões em erupção e enfrentar tubarões. Seu objetivo é encontrar uma foto perdida e recuperar o prestígio na revista em que trabalha.

Por que assistir? “Quantos não ficam apenas sonhando como seria bom conquistar seu cargo público, mas não passam para a ação?”, diz o especialista em concursos Marcello Leal. Segundo ele, o filme mostra a importância de superar o medo, a preguiça e o desânimo para realizar aspirações de qualquer ordem.

“The Secret Life of Walter Mitty”
Diretor: Ben Stiller
Ano de produção: 2013

“Quem quer ser um milionário?”
Jamal é umindiano pobre que está prestes a conquistar um feito inédito: o prêmio de 20 milhões de rúpias do programa de TV “Quem Quer Ser Um Milionário?”. Sob a suspeita de estar trapaceando no jogo, ele é preso e interrogado. Para provar sua inocência, ele conta como adquiriu os conhecimentos exigidos no programa graças a eventos de sua vida nas favelas de Mumbai.

Por que vale a pena? Segundo Nathalia Masson, professora da Rede LFG, o filme traz uma bela lição sobre como transformar infortúnios em ensinamentos úteis. “As adversidades ensinam muito e serão o combustível da sua aprovação”, afirma ela.

“Slumdog Millionaire”
Diretor: Danny Boyle
Ano de produção: 2008

“Invictus”
Baseado em fatos reais, o filme mostra o resultado da parceria entre Nelson Mandela e o capitão da seleção de rúgbi da África do Sul. Em meio às tensões do apartheid, a dupla busca unir a população por meio do esporte.

Por que vale a pena? Segundo Rodrigo Menezes, diretor do Concurso Virtual, a missão dos protagonistas era quase impossível. “Eles precisavam levar à vitória um time que era vaiado pelos próprios sul-africanos”, diz. A lição que fica para o concurseiro é que a vitória é possível mesmo diante de grandes adversidades.

“Invictus”
Diretor: Clint Eastwood
Ano de produção: 2009

Informações Exame

Correios: Edital para temporários sai até junho. Nível médio


Os Correios pretendem divulgar até junho o edital de concurso para a contratação de trabalhadores temporários para carteiro e outros cargos de nível médio. A seleção deverá minimizar o grave déficit de pessoal vivido pela empresa, mas é repudiada por entidades que representam os funcionários da estatal, que cobram a contratação de efetivos. A maior parte das vagas da seleção aguardada para ainda este semestre deverá ser para carteiro, além de atendente comercial e operador de triagem e transbordo. As três funções têm como requisito o ensino médio completo e proporcionam remuneração de R$2.006,65 (para 27 dias de trabalho) ou R$1.893,50 (23 dias), incluindo benefícios. No caso de carteiro, o valor pode chegar a R$2.200, em função de outros adicionais.

De acordo com o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), José Rodrigues, uma das pautas do congresso nacional da categoria, que será realizado em junho, será a cobrança por concurso imediato para efetivos.

Além dos cargos de nível médio, a seleção para efetivos deverá incluir cargos de nível superior, com iniciais de R$4.962,05 ou R$4.848,90. Uma decisão judicial, de novembro do ano passado, obriga os Correios a convocarem aprovados em cadastro de reserva do concurso de 2011, o último realizado, e a promover novo concurso, caso a demanda não possa ser suprida com essas convocações. A decisão se deu após a constatação do uso irregular de terceirizados em atividades inerentes a concursados.

IBGE: Instituto conta com 660 vagas autorizadas pelo Planejamento



Quem busca uma vaga no serviço público federal deve considerar o concurso que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pretende realizar, devido à grande necessidade de pessoal e às iminentes aposentadorias.

Concurso IBGE: edital com 660 vagas para este ano

Os números do concurso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tiveram uma alteração considerável. O órgão havia sinalizado, em agosto do ano passado, que abriria 1.564 oportunidades de níveis médio e superior; agora, no entanto, o IBGE afirmou em uma reunião com a Associação e Sindicato Nacional dos Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (ASSIBGE-SN), que pretende abrir 660 vagas para os mesmos cargos.

O número foi considerado "decepcionante" pelo ASSIBGE-SN. "Existia uma previsão inicial de abertura de cerca de 1.500 vagas, que ainda assim seriam insuficientes para suprir a defasagem de profissionais do IBGE", afirmou Matheus Canário, representante do sindicato.

Segundo Canário, o IBGE indicou que, dessas 660 vagas, 440 serão voltadas para o posto de técnico , que exige nível médio e 220 para oportunidades que pedem graduação, podendo ser para os postos de analista ou tecnologista. As vagas seriam lotadas nas agências do Instituto no interior do País, e outros seriam para as sedes estaduais do IBGE.

O Instituto trabalha com a perspectiva de autorizar o concurso ainda no primeiro semestre deste ano. Com a aprovação do Projeto de LeiOrçamentária Anual (PLOA) 2015, que ocorreu na última terça-feira (18), a expectativa é que o Ministério do Planejamento libere oaval para o IBGE em pouco tempo.

De acordo com a assessoria do IBGE, há uma grande defasagem depessoal no instituto. As aposentadorias concedidas nos últimos anosfizeram com que, agora, o IBGE enfrente uma falta de pessoal. A informação é também confirmada pelo sindicato. "Temos hoje vários
servidores sobrecarregados de trabalho, já que o IBGE faz concursos esporádicos e com vagas insuficientes para repor o quadro", acrescenta Canário.

Defasagem no instituto

Com 578 agências espalhadas pelos principais municípios brasileiros, o IBGE possui aproximadamente 5.760 funcionários efetivos, segundo levantamento de março de 2014. O problema é que, de acordo com Susana Drumond, o atual quadro de pessoal diminuirá drasticamente nos próximos anos, pois quase 70% dos servidores têm mais de 26 anos de tempo de serviço.

Para os cargos com exigência de ensino médio, a situação é ainda mais crítica, já que o índice de funcionários efetivos com mais de 26 anos de serviço chega a 82%.

Os cargos do concurso do IBGE

Ensino médio concluído em instituição reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) é requisito para concorrer ao emprego de técnico. A remuneração inicial para esta função parte de R$ 2.950,91 e chega a R$ 4.416,78 com as gratificações.

As profissões de analista e tecnologista são destinadas aos candidatos com formação superior em qualquer área de atuação. O salário vigente para ambos os postos corresponde a R$ 6.666,83, podendo alcançar o valor de R$ 8.318,63 com as bonificações.

Servidores do IBGE também recebem, como benefícios, auxílio-alimentação de R$ 373 e auxílio-transporte, além de assistência à saúde (médica e odontológica), que é opcional e pode ser usufruída por funcionário e seus dependentes.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Concurso no Estado do PI só em 2018

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De acordo com o secretário, será preciso uma atualização obrigatória do quadro de servidores

No Dia do Trabalhador, o governador do Estado, Wellington Dias (PT), afirmou em mensagem publicada ontem em rede social que a sua gestão irá priorizar os concursos públicos e uma melhor renda para os trabalhadores. A declaração contraria a situação alardeada pelo governo sobre a crise financeira do Piauí.

Segundo o secretário estadual da Administração, Francisco José Alves da Silva (Franzé), não há previsão de concurso para os próximos três anos no Estado. Apesar disso, para ele, a declaração do governo não é contraditória já que Wellington foi o gestor que mais realizou concursos. “Wellington Dias foi o governador que mais fez concursos no Piauí e vai continuar a fazê-lo, então seu discurso não fica inviável”, comenta o secretário.

Se a previsão de Franzé se confirmar, o Governo do Estado só realizará novos concursos em 2018. Conforme o secretário, o lançamento novos certames está impedido devido a não existência de uma perspectiva de orçamento e projeção financeira. Para Franzé Silva, é preciso ainda mais tempo para preparar o Piauí para as mudanças ou evoluções futuras.

“Temos a certeza de que teremos que renovar nosso quadro de trabalhadores. Mas não podemos fazer nada sem planejamento. Tanto a questão de aumentos salariais como a questão de contratação de novos empregados tem que ser pensada, ser fruto de um planejamento”, afirmou Franzé Silva.

De acordo com o secretário, será preciso uma atualização obrigatória do quadro de servidores daqui a quatro ou cinco anos, e isto só é poderá ser feito através da realização de concursos públicos.

Informações 180 Graus / Diário do Povo

quarta-feira, 29 de abril de 2015

BNB anuncia novo concurso, edital em maio

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O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) anunciou a realização de novo concurso público, desta vez voltado para estudiosos do Direito, Economia, Agronomia e outras áreas. O edital deve ser lançado em maio e os aprovados irão compor a equipe do banco que “pensa o Nordeste”, por isso, os candidatos devem ter mestrado ou doutorado. Hoje, esse setor funciona através de consultoria, mas a intenção da presidência é internacionalizá-lo. Os aprovados assumirão o cargo em Fortaleza (CE), sede do BNB.

Concurso de 2014 – O certame realizado no ano passado para o cargo de escriturário aprovou 1.432 candidatos e estão sendo convocados cerca de 100 por semana. Como o concurso tem validade de 2 anos, o Banco do Nordeste informou que não está previsto novo concurso para esse período.

Informações Cidade Verde

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Niède Guidon desabafa e diz que foi 'burra em ter voltado para o Brasil'

Niéde Guidon na entrada do Parque Serra da Capivara. (Foto: Mirela Tavares)
Niéde Guidon na entrada do Parque Serra da Capivara. (Foto: Mirela Tavares)

Patrimônio Cultural da Humanidade, o local cujo primeiro projeto turístico foi feito pelo suíço Robert Jacquard, já falecido, corre o risco de fechar devido a falta de recursos e de prioridades com que é tratado pelo governo brasileiro, além da falta de apoio estrutural dos municípios do seu entorno.

A demora para concretização de qualquer projeto que envolva o governo é inexplicável. Os problemas se acumulam desde a dificuldade de verbas para pagamento de funcionários à interminável construção de um aeroporto que se arrasta por quase duas décadas sem nenhuma explicação cabível. Nos seus limites, cidades sem infraestrutura, uma população pobre e governos municipais sem visão para a exploração turística sustentável também servem de ameaça.

Situado em uma área de mais de 100 mil hectares em uma região de caatinga e quase mil sítios arqueológicos registrados, o parque se mantém aberto graças a luta incansável da arqueóloga Niéde Guidon. Maior do que qualquer incompetência de gestão pública, a determinação dessa cientista, apoiada por instituições de ensino e pesquisa internacionais, principalmente da França, procura manter o foco não só na preservação do parque, como na sua transformação em um polo turístico que traga desenvolvimento à toda região.

Na entrevista a seguir, embora ela própria se diga desacreditada de medidas do governo para resolver os problemas e afirme ter errado em tentar fazer do parque uma referência, suas atitudes falam o contrário. Todo o seu tempo é dedicado ao perfeito funcionamento e preservação da riqueza arqueológica do local.


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Mas na sua guerra diária, uma frase no portal à frente da sua casa parece dar a dimensão do entendimento da luta. Um trecho do Cântico do Inferno, da Divina Comédia, de Dante Alighieri, alerta aos desavisados que se aproximam: “Lasciate ogni speranza voi che entrate!”. Ou, em bom português: “Deixai toda esperança, vós que entrais!”.

swissinfo.ch: Como foi feito o projeto turístico do Parque Serra da Capivara e por que por um suíço, o Robert Jacquard?

Niéde Guidon: O governo brasileiro criou o parque (1979) e deixou lá, sem funcionários, sem nada. As pessoas passaram a entrar no local para tirar madeira e caçar. Diziam: “Se é do governo, é nosso”. Não havia ninguém para tomar conta. Precisávamos ter recursos. Criamos, então, a Fumdham, a Fundação Museu do Homem Americano (1986). Como não era a minha especialidade tomar conta de um parque, falamos com Enrique Iglesias, então presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ele visitou a região e mandou técnicos fazerem um estudo para organizar o local e torná-lo autosuficiente. A ideia era que fosse um exemplo de como a proteção da natureza e a cultura poderiam desenvolver uma região, que era miserável.

O que fizeram?

N.G.: Eram dois. Ficaram aqui um mês, estudaram toda a região, fizeram um relatório dizendo que a área não teria viabilidade econômica com agricultura e criação de animais, devido ao sol e a terra muito salgada. Aqui já foi mar! Mas eles relataram que o local tinha um potencial turístico muito grande. Foram eles que nos aconselharam a entrar em contato com a Suíça, pela maior capacidade dos suíços em preparar projetos de turismo.

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Como isso se deu efetivamente?

N.G.: Não lembro exatamente. Faz muito tempo (1995). O Robert Jacquard veio como um consultor, ficou aqui um ou dois meses e fez o projeto. Dissemos que não queríamos o tipo de turismo que em geral existe no Brasil: aquela concentração de pessoas andando no mesmo lugar, aquela bagunça como no Cristo Redentor (Rio de Janeiro). Então ele nos explicou como deveria ser feito e deixou um plano pronto.

O projeto ainda existe?

N.G.: Naquele momento ainda não existia as instalações que temos hoje. Era uma casa pequena no centro da cidade. Todo o material estava em pastas, em prateleiras. Eu dava aulas em Paris e só vinha aqui nas férias. Só que a região tem muito cupim e eles comeram tudo. Procurei uma cópia em Brasília, mas lá nem sabiam onde tinha sido arquivado.

Mas como foi implementado?

N.G.: O original foi perdido, mas nós já tínhamos colocado em funcionamento tudo. Tínhamos, inclusive, desenhado como seria, pois Jacquard tinha nos aconselhado a fazer várias rotas turísticas, de maneira que podíamos distribuir os grupos para não causar uma grande concentração de pessoas.

Como está hoje?

N.G.: Por falta de dinheiro, temos de fechar várias trilhas, pois no entorno do parque eram 28 guaritas, todas equipadas com rádio, algumas com energia solar. Se houvesse barulho de caçador, cachorro ou tiro, o pessoal na guarita poderia chamar a central, porque estava tudo interligado. Hoje só temos nove abertas e vamos fechar mais quatro guaritas.

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O que caçam?

N.G.: Tudo. Antigamente, quando começava o período de seca, os animais iam para a Serra das Confusões, a 100 km daqui. Quando voltava a chover na Serra da Capivara, os animais retornavam. Agora não podem mais fazer isso, porque está cheio de assentamentos entre os dois parques, em uma área que antes ninguém tinha título de propriedade. Porém, os políticos viram isso e colocam terras em seus nomes. Há fazendas enormes que eram terrenos públicos. Com isso, os animais que saem da área são mortos. Para protegê-los, fizemos uma quantidade grande de depósitos de água. Durante a seca, mantemos água ali o tempo todo para eles não saírem. Assim conseguimos reconstituir a fauna. Hoje há mais onças aqui por quilômetro quadrado do que no Pantanal. Porém, sem as guaritas, tudo pode acabar. Temos 400 quilômetros de estradas para garantir tanto a visitação quanto a proteção, mas estrada que não é conservada, depois da chuva, acaba!

400 quilômetros é a quase a distância entre São Paulo e Rio

N.G.: Pois é! Um trabalho grande que fizemos, sendo no início todo financiado pelo Banco Interamericano. Foram mais de US$ 2 milhões, desde a década de 1990 até o início dos anos 2000. A França também ajudou muito, depois organismos brasileiros.

Como ajudaram exatamente?

N.G.: Existia a Lei Rouanet (lei de incentivo fiscal) e tinha também a Compensação Ambiental (mecanismo de política pública que permitia a incorporação de custos sociais e ambientais da degradação gerada por determinados empreendimentos nos custos globais da empresa). Muitas dessas empresas nos escolhiam.

Como quais?

N.G.: Tinha a Vale do Rio Doce, a Petrobras, muitas dessas grandes empresas. Quando Lula (o ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva – 2003 a 2011) entrou no governo, criou o Fundo da Compensação Ambiental, e as firmas passaram a ser obrigadas a depositar os valores em uma conta em Brasília. Quer dizer, caiu na mão do governo, já era, porque Brasília não tem fundo! Então, agora, recebemos muito pouco. A Petrobras nos repassava mais de R$ 2 milhões por ano. Em 2014, fomos informados que seria reduzido para R$ 1,1 milhão. Somente em Dezembro é que nos mandaram R$ 480 mil! E ainda dividido em parcelas! Ou seja, passamos 2014 sem dinheiro. Foi muito difícil. Tínhamos 270 funcionários. O ideal seria 400. Estamos com cerca de 80 e teremos de mandar embora uns 40 ou 50.

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A senhora doou parte de um prêmio de R$ 300 mil para finalização do aeroporto daqui cujas obras se arrastam por mais de duas décadas. Como está?

N.G.: Coloquei R$ 200 mil e até hoje não foi homologado. Dizem que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) demora até um ano para homologar. Agora veja, este aeroporto, pago com dinheiro público, que estava registrado como particular. Você está entendendo como funciona aqui?

O que o Brasil perde com o risco do fim do parque?

N.G.: O Brasil perde, a região perde, o Piauí perde a possibilidade de deixar de ser um estado miserável que é. Eu estive na Unesco em 2013. Eles me disseram que todos os patrimônios da humanidade recebem, no mínimo, entre 5 e 6 milhões de turistas por ano. Aqui, recebemos 25 mil turistas. O acesso é difícil, não tem hotéis bons. O presidente da Union de Banques Suisses (UBS) esteve aqui, queria fazer um hotel seis estrelas, mas quando viu a estrutura disse que só quando o aeroporto estiver pronto. O diretor do Hyatt International também.

Há muitos estrangeiros trabalhando no parque?

N.G.: Temos a missão francesa, porque em 1978, considerando a importância da região, a França criou uma missão oficial que é mantida pelo Ministério das Relações Exteriores da França. Essa missão, da qual fui chefe, continua até hoje, sendo dirigida por um colega, professor em Paris. Ele vem anualmente aqui com os alunos. A Embaixada da França, vendo as notícias sobre a falta de recursos, acaba de nos doar um carro, que também atende a missão.

A senhora conversa com o pessoal do governo?

N.G.: Nada. Em abril de 2013, tive uma entrevista com a Marta Suplicy, então Ministra da Cultura. Levei um relatório com a estrutura do parque, o que eu precisava para mantê-la, a importância de ser patrimônio da humanidade. Ela me recebeu, chamou a presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), uns 20 chefes de departamento. Disse que o dinheiro seria mandado. Isso em abril de 2013. Em novembro de 2014, mandaram R$ 500 mil (valor para ser usado ainda na preparação de sítios para serem visitados e para pagar funcionários). Agora inventaram ainda esse negócio do Siconv (sistema para cadastrar e gerenciar convênios e contratos de repasse).

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Como funciona?

N.G.: Não consigo saber. Eles põem dinheiro em uma conta, mas a fundação não pode usar. Por exemplo, tínhamos uma política de pegar funcionários e firmas locais com o objetivo de ajudar a desenvolver a região. Agora não pode. Temos de divulgar no portal da fundação para que pessoas do Brasil inteiro se candidatem. Depois, quando o serviço for aprovado e feito – e pode nem ser pela qualidade, mas pelo preço –, apresenta-se a nota, o dinheiro vai para o banco, e o banco é que paga diretamente. Tudo pela internet! Agora veja! Aqui chegamos a ficar uma semana sem que a internet funcione!

Como funciona a colaboração das instituições estrangeiras?

N.G.: Elas colaboraram. Mas agora precisamos de recursos para pagar funcionários. Nenhuma organização internacional vai pagar funcionário. Estava na hora do governo brasileiro, que recebeu tudo isso, cuidar do parque! O que foi gasto chega a uns US$ 5 milhões! Realmente (o descaso) é prova de uma burrice extrema. O país não tem infraestrutura. Estamos com um telefone que não funciona ou funciona mal, a energia vive caindo, as estradas cheias de buracos…

Os moradores têm consciência da importância do parque?

N.G.: Eles veem que o parque traz dinheiro para a região. Mas o Brasil não entende que isso aqui é um patrimônio da humanidade, que há um acordo com a Unesco.

E não pode ser penalizado por isso? 

N.G.: Como? O que a Unesco pode fazer? Nada! A Unesco também não tem mais dinheiro desde o novo presidente, que entrou, nomeou toda a família, amigos…

É possível dar uma ideia do seu sentimento como cidadã?

N.G.: Isso aqui é uma coisa fantástica, algo único! Temos 942 sítios com arte rupestre! Onde é que existe isso no mundo?! Fizemos estradas para que turistas pudessem ver tudo, mas agora não podemos manter as estradas. Deixei minha vida em Paris, meus amigos, vim aqui para quê? A minha médica diz que eu estava com depressão. Não é depressão, não! Apenas fiz a análise científica da minha vida e me dei conta de que não fui uma pessoa inteligente o suficiente para ter entendido que no Brasil não dá certo querer trabalhar honestamente e de uma maneira correta. Fui burra de ter voltado para o Brasil.

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A PESQUISA QUE MUDA A HISTÓRIA

Filha de pai francês e mãe brasileira, Niéde Guidon nasceu em Jaú, interior de São Paulo. Depois de ter se formado em História Natural pela Universidade de São Paulo (USP), foi para Paris estudar Arqueologia. Anos depois, novamente no Brasil, onde foi aprovada em primeiro lugar em um concurso para lecionar na USP, foi denunciada como comunista e obrigada a deixar o País, em 1965.

Em 1973, membro da Missão Arqueológica Francesa, Niéde passa a vir anualmente ao Brasil, para pesquisar os sítios arqueológicos de São Raimundo Nonato. A partir daí começa um trabalho incansável pela preservação da região. Seus achados arqueológicos mudam a história do homem no continente americano. Isso porque a teoria conhecida até então apontava que os primeiros humanos chegaram ao continente por volta de 15 mil anos, vindos do Estreito de Bering. As pesquisas de Niéde identificam a presença humana no local há 100 mil anos, e muda a perspectiva da pré-história americana. Pela técnica do carbono 14, a pesquisa da Dra. Niéde chegou a data de 58 mil anos. Abaixo desse período, os vestígios encontrados foram datados pela técnica da termoluminescência, quando se chegou a idade de 100 mil anos. A partir de 1991, as pesquisas na Serra da Capivara apresentam evidências irrefutáveis de que os vestígios encontrados estavam ligados ao Homo sapiens.

Junto com a pesquisadora Anne-Marie Pessis, Niéde Guidon montou todo o estudo apresentado à Unesco, que em 1991 declarou por unanimidade a Serra da Capivara como Patrimônio Cultural da Humanidade. No Museu do Homem Americano, também criado por ela, o turista encontra todas as informações sobre seus trabalhos, assim como as provas. Muitos dos artefatos encontrados nos sítios arqueológicos, como crânios, esqueletos, urnas funerárias e ossadas de animais pré-históricos podem ser vistos no local, que embora pequeno dispõe de infraestrutura de ponta para receber visitantes de todo mundo.

Com informações: www.swissinfo.ch



domingo, 5 de abril de 2015

ATÉ O DIA 10 DE ABRIL: Inscrição aberta para Estagiário Voluntário da Defensoria Pública em SRN


Foram prorrogadas até o dia 10 do próximo mês de abril as inscrições para o I Processo Seletivo para Estagiários Voluntários da Defensoria Pública do Estado do Piauí. A seleção é destinada a estudantes do Curso de Bacharelado em Direito para provimento de vagas no interior e na capital.O processo é realizado pela Escola Superior da Defensoria Pública (ESDEPI).

Estão sendo oferecidas as seguintes vagas:

Teresina - 57 vagas
Água Branca - 01 vaga
Altos - 01 vaga
Barras - 01 vaga
Bom Jesus - 01 vaga
Campo Maior - 01 vaga
Castelo do Piauí - 01 vaga
Corrente - 01 vaga
Esperantina - 01 vaga
Floriano - 01 vaga
Jaicós- 01 vaga
José de Freitas - 01 vaga
Luís Correia - 01 vaga
Luzilândia - 01 vaga
Oeiras - 01 vaga
Parnaíba - 01 vaga
Paulistana - 01 vaga
Pedro II - 01 vaga
Picos - 01 vaga
Piracuruca - 01 vaga
Piripiri - 01 vaga
São João do Piauí - 01 vaga
São Raimundo Nonato - 01 vaga
União - 01 vaga
Uruçui - 01 vaga
Valença - 01 vaga

As vagas serão distribuídas com estrita observância da ordem classificatória, já incluídas as destinadas a pessoas com deficiência. As inscrições são gratuitas e o candidato deve inscrever-se preenchendo a Ficha de Inscrição constante no anexo I do Edital.

A conclusão da inscrição está condicionada à entrega pessoal, por meio de procurador habilitado, ou por via postal com aviso de recebimento, na sede da Escola Superior da Defensoria Pública do Estado do Piauí (ESDEPI), da ficha de inscrição devidamente preenchida e dos seguintes documentos: fotocópia do RG; CPF; Título de Eleitor e comprovante de quitação eleitoral; Histórico Acadêmico atualizado, constando o coeficiente de índice acadêmico que não poderá ser inferior a 8 (oito); Encaminhamento de Estágio da Instituição de Ensino; 01 (uma) foto 3x4 e a Declaração de Matrícula (somente documento original). A ESDEPI fica localizada na Av. Nossa Senhora de Fátima, nº. 1342, 2º andar, Bairro de Fátima, CEP: 64045-528, em Teresina. A entrega dos documentos poderá ser feita das 7h30 às 13h30.

Serão considerados aptos para assumir o estágio os candidatos que possuírem o coeficiente de índice acadêmico igual ou superior a 8 (oito), bem como, com a devida entrega dos documentos relacionados e que a Instituição de Ensino Superior seja conveniada com a Defensoria Pública do Estado do Piauí. O prazo de validade do Teste Seletivo será de um ano, podendo ser prorrogado pelo mesmo período.





 Fonte: Defendoria

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